domingo, 31 de maio de 2009

Simples.

A vida é simples como só ela pode ser.
É tão bom poder apreciar e sentir o lado natural da vida e não aquele que construímos, nos impomos, ou nos impõe e que às vezes, por interesses diversos, mascaramos.
É bom poder ver o azul do céu, sentir o vento batendo nos cabelos, olhar as estrelas brilhando em uma limpa noite de inverno e sentir aquele geladinho na ponta dos dedos e do nariz. Ver e ouvir a chuva caindo, deixá-la escorrer pelas mãos e rosto, e parar alguns minutos para apreciar a imensidão do mar...
Sinto-me criança nessas horas. Quando deixo as armaduras de lado e volto a mim, a minha essência.
Deleitar-me, por exemplo, com algo tão comum, tão complexo e simples ao mesmo tempo quanto um avião ganhando os céus. Eu também posso voar.
E tão bom quanto tudo isso, é poder compartilhar esse momento com alguém que sabe apreciá-las também. Passear por aí, ouvindo todos os sons e a musicalidade do viver.
Apreciar a vida simples como só ela pode ser.

quinta-feira, 28 de maio de 2009

Passando o tempo passado.

Seis meses se passaram...
E me descubro bem outra vez, como há tempos estive antes de tudo. Do que já não sei mais o que foi, o que é ou o que seria.
Olho pro lado e vejo meu grande amigo, o tempo, que me trás coisas boas, mas às vezes quase me mata com sua verdadeira sinceridade. Tudo bem. Estou acostumado com ele. E na sua companhia me pego aqui olhando a imensidão do mar, do céu e suas estrelas.
Amo as imensidões. Quando fico a admirá-las sinto-me como se fizesse parte delas; é como se eu pudesse me espalhar em sua grandiosidade e me tornar mais tranqüilo e consciente do que me cerca ou tornar muito mais leve tudo o que doeu em mim.

“De tarde quero descansar, chegar até a praia, ver se o vento ainda está forte e vai ser bom subir nas pedras. Sei que faço isso pra esquecer, eu deixo a onda me acertar, e o vento vai levando tudo embora.
Agora está tão longe. Vê, a linha do horizonte me distrai:...” (R. Russo)

terça-feira, 12 de maio de 2009

Saudade...(?)

Zéca Baleiro já dizia em uma canção “a saudade é um trem de metrô, subterrâneo, obscuro, escuro e claro, é um trem de metrô.” E ele estava certo. Tantas nuances de um mesmo sentimento que às vezes ela quase nos mata, porque por vezes, no meio do caminho, esse trem nos atropela de cheio. E nunca há avisos indicando a sua vinda.
Algumas saudades são boas, nos trazem um alento, uma recordação alegre. Outras nem mais ao certo sabemos do que é, ou o porquê de senti-las quando muitas delas provem de algo que em algum momento deixou de fazer sentido a nós. E por que será me pergunto. Talvez porque lá no fundo ainda façam algum sentido e não admitimos, ou porque queremos dar algum a elas?
Acho que é saudade de nós mesmos: de quando éramos completos com nós mesmos.
É...
“A saudade é um filme sem cor que o meu coração quer ver colorido”, mas nem sempre possível por isso... Saudade.

quarta-feira, 6 de maio de 2009

Sinceridade ou canalhice?

Acredito que em todo o tipo de relação o que deve prevalecer, ao menos estar muito presente, é a sinceridade. Sempre prezei por ela em todos os meus relacionamentos e penso que é o mais certo. Ser claro com o outro é sempre melhor e mais honesto do que esconder, mentir, omitir...
É claro que às vezes essa postura pode causar no outro um desconforto ou até mesmo um sofrimento, mas ainda assim acredito ser a melhor opção, embora quase sempre não seja a mais fácil, eu sei. Entretanto, caso a sinceridade cause algum tipo de infortúnio, este, dependendo do que se trata, poderá ser leve, e certamente será momentâneo e passageiro se esta atitude vier à frente de qualquer passo que se der com alguém.
Explico: em um relacionamento, por exemplo. Quando você conhece uma pessoa e, independentemente do grau de interesse inicial e do que for mudando, para mais ou para menos, durante os sucessivos encontros, você deixa claro quais são as suas verdadeiras intenções, se mostra como é e fala o que pensa sobre determinados assuntos ou pontos que envolvem uma relação, eu diria que você está agindo com sinceridade. Seu comportamento está sendo no mínimo ético. Mesmo que você procure dizer de outra forma, com outras palavras, ou até se enrole um pouco para deixar claros seus sentimentos, com o intuito de não ser tão rude o outro, mas diz e esclarece o que tem que ser.
Agora quando você se mostra diferente do que é, quando não compartilha com o outro o que pensa, os seus sentimentos em relação a vocês e ainda por cima se comporta de forma irresponsável com você, com o outro e com a relação, principalmente quando já a levaram a níveis majorados, e vem com mil desculpas, com pedidos de tempo, com visível fuga da responsabilidade, e coloca ao outro – no que você pensa estar sendo o seu ato de sinceridade – o que você vem fazendo atualmente, o comportamento que está tendo ou teve às escondidas, e passa a dizer o que omitiu, o que não compartilhou, o que não deixou claro antes, você está sendo uma única coisa: Canálha!
Há pessoas que confundem a justificativa dos seus atos pervertidos com sinceridade. Lamentável. Tomam por certas as suas atitudes e responsabiliza o outro pelos “erros” na relação. Depois não sabem por que as coisas não dão certo ou desandam com o tempo para elas. Causam sofrimentos em pessoas que na sua maioria não mereciam e ainda se fazem de decepcionadas quando elas são a própria decepção. Acredito que está na hora desse tipo de gente amadurecer se querem viver algo sinceramente verdadeiro.

(espero não ter sido muito agressivo no texto, mas aí está, sintam-se a vontade para comentar)

segunda-feira, 4 de maio de 2009

Hipócrito ser.

Não sei, mas gostaria de entender porque há pessoas que assumem posturas que não condizem com a sua atual e verdadeira realidade. Talvez no afã de serem aceitas de alguma forma por algum grupo ou determinada pessoa(s), ou então pela simples incapacidade de encarar a sua realidade; ou ainda pelo autodestrutivo orgulho, para não darem, como se dizem, o braço a torcer. “Vivem” o que não estão vivendo de fato.
São discursos, comportamentos, imagens que demonstram um estado diferente daquele em que realmente, lá no fundo, se encontram. E tem muitas que piamente acreditam no que vivem, enganando-se a si mesmas e aos mais desavisados dia após dia. É preciso manter a aparência, a pose. Por quê? Para quem? O que fazem, o que dizem, o que aparentam, não faz parte efetivamente das suas vidas, dos seus verdadeiros sentimentos.
Chega de frases bonitas, de clichês para chamar a atenção por aqui, por aí, no mundo real e no virtual. Chega de milhões de poses entre “milhões de amigos”, das conquistas materiais, dos sorrisos em todos os momentos se não se tem e nem se toma nada disso para a própria vida como algo natural, efetiva e verdadeiramente real.
São só máscaras. É só orgulho. Assuma-se!

sexta-feira, 1 de maio de 2009

Início... Princípio... Começo.

Sempre um parto, portanto, dói. E dói porque é inicio, porque é filho de um fim, e como todo fim, também dói.
O início está presente em nossas vidas todos os dias, desde as primeiras horas às ultimas, quando então ele novamente chega ao fim para depois nascer novamente.
Quando paramos para observar nosso contexto de vida, percebemos que estamos sempre iniciando algo, seja um novo trabalho, um projeto, um momento, uma amizade, um amor, e até mesmo uma vida em alguns casos. E como é bom iniciar!
O inicio é sempre novo, nos desperta para além do que estávamos acostumados a ver, a fazer... E até mesmo a viver. Estimula-nos; principalmente quando nos tira de algum estado de inércia ante a nós e os nossos fatos.
E claro que, como tudo na vida, nem sempre o inicio é algo assim tão fácil assim. Às vezes é preciso força para começar, coragem para encarar um momento, uma realidade e dar o primeiro passo, independentemente do rumo que se escolheu tomar. E são essas escolhas, conscientes ou não, que nos levarão para frente em tudo que iniciamos, e definirão também o seu fim, mesmo que a gente não queira. Porque tudo tem um fim.
Mas como Início e Fim tem uma relação muito forte, andam sempre juntos, tudo começa novamente para nós. O que muda de um caso para outro, é o tempo que se prolonga o que se iniciou. O tempo das coisas é variável: pode ser longo, duradouro, ou curto e perecível. E nesse ponto – no tempo entre o inicio e o fim – reside a intensidade da dor do que morre e conseqüentemente do que nasce.
No entanto devemos observar, ou melhor, cuidar para o tempo das coisas. Por vivermos num mundo e numa cultura de comportamentos, sentimentos, atitudes, e etc. etc., passageiros e rápidos, vivemos tudo como num flash: não se tem mais tempo de apreciar o que temos; principalmente quando muito jovens. E o que fazemos muitas vezes? Matamos antes do tempo tudo o que iniciamos, cortando todos os laços abruptamente, impiedosamente, e ficamos muitas vezes sem algo que nos fazia bem e que talvez não precisasse morrer naquele momento. Porque tudo morre naturalmente e dessa forma nos dói menos, pois é uma consciência nossa, como deveria ser também a consciência de que algumas coisas nós temos que saber fazer renascer.